GUSTAVO STEPHAN
"ENTRE LINHAS E LUZ"
OUTROS BRASIS
POR C.GONCALVESS
Jazia imersa em sono profundo; no chão úmido pela leve chuva da manhã, as flores do Ipê, soft opening da primavera que anuncia o ultimo mes do inverno.A luz amena de um dia que se iniciava em escala de cinza ,de longe era convite para uma obra prima da fotografia.
Do cenário; pairam no ar uma expectativa muito grande, a final um ciclo esta para se fechar e, o esforço de seus idealizadores se traduziriam em um momento singular: o sorriso daquelas pessoas que por ali circulavam, E circulando ,não se davam conta das flores do Ipê que pisoteavam.Pisoteavam em grupos e, em grupos era distinguido ,porem; com um único objetivo: o de ganhar. Ganhar uma prova rústica que marcava o encerramento de um projeto denominado ‘O Brasil passa pelo Sesc'.
Foram quatro dias, muitas horas e, ao mesmo tempo um lampejo de vida, mesmo para um time de fotógrafos renomados que passariam por todo o país registrando pelas diferentes e próprias óticas um Brasil que por ali entra e sai. O Sesc.
Olhos ao longe, um leve sorriso nos lábios.Quase que estático por um breve momento; aquele homem observava tudo. Em suas mãos a sua câmera, caminha tranqüilo pra lá e para cá.
Ele traz uma bolsa grande nas costas e, no seu olhar traz um brilho especial.Um brilho que denuncia o romantismo de seu trabalho, e quantos trabalhos! Gustavo Stephan (ag.O Globo) teve seu trabalho reconhecido e muito bem merecido. Cortou os mares gelados ziguezagueando entre icebergs gigantes rumo a Antártica na expedição de Amyr Klink, deixou as marcas de seus passos no roteiro da coluna Prestes. Junto com o filho dessa história ‘Luiz Carlos Prestes Filho', resgatou quase um século de história, traduzindo em imagens muitos personagens que formaram a coluna Prestes, também cortou o nordeste de Minas Gerais conhecendo o Brasil do Vale do Jequitinhonha, Surfou nas luzes da linha vermelha fotografando CDD (Cidade de Deus RJ) a noite ,Fotografou os grandes Chefes ,como Claude Troigros, Roberta Sudbrack ,Flávia Quaresma em pauta para seu jornal, o remo na lagoa Rodrigo de Freitas, a solidão do atleta que se alonga diante do chafariz na Praça Paris (RJ) e o romantismo de um casal ao entardecer no Arpoador com o pão de Açúcar como testemunha ,ao fundo.
‘O Brasil passa pelo Sesc' passou também pelas lentes de Gustavo Stephan através do Sesc PR na cidade de Toledo, onde o Doc. “ISO” teve a honra de conhecer de perto este fotojornalista.

Imagem(e) da tripulaçao no desembarque em Ushuaia - Foto: Marina Bandeira Klink
Documento “ISO” : Como você conciliava as duas tarefas : A de tripulante na embarcação de Amyr Klink rumo à Antártica e, a de fotografo da expedição?
-Eu não tinha obrigações, mais era uma viagem que todos tinham que colaborar,lavei muita louça,limpei banheiros; a parte do barco em si, como sou inexperiente não tinha condição alguma de ajudar. No dia-a-dia do barco eu as vezes controlava um pouquiho, a parte de óleo diesel, tomava conta do óleo,falava pra algum companheiro, mas nada como marinheiro.
Em uma viagem de barco não é toda hora que você tem condição de fotografar, até é muito difícil porque quando o tempo esta bom;que é o melhor tempo pra fotografia( a luz) ,o barco esta navegando se o tempo esta ruim as vezes ele para. E quando esta ruim mesmo “tempestade” eu como não tinha costume com o mar passava mal mesmo.
Documento “ISO”: Foi uma viagem insólita pra você,não é? Em gênero número e grau!
Foram vários dias navegando, quase dez dias se contabilizarmos em horas eu fiquei passando mal, passei muito mal na viagem.
Documento “ISO” :Você percebeu um paradoxo entre as viagens fotográficas que fez e a aventura na Antártica?
Não, não; o que eu posso juntar assim e que os trabalhos que eu tenho feito (trabalhos pessoais), acabam esbarrando em grandes brasileiros. No caso, aqui na região sul fiz o trabalho da “Coluna Prestes”,passeia até aqui próximo a região (Toledo). O Prestes um grande homem, o Amyr também.
Tenho um trabalho que pretendo fazer um dia, gravei um mês antes que morresse.
“Chico Mendes”.
O paradoxo que posso fazer são os grandes brasileiros.
Documento ‘ISO' :Que conclusão você chegou entre o fotografo e a gigantesca presença da natureza naquela viagem à Antártica? Foi a primeira vez que você viu tudo àquilo em loco?
Eu sou muito ligado, desde novo na natureza, de gostar de estar no mato, de fazer trilha. Pra mim foi deslumbrante o contato com aquele mundo, achei que nunca fosse conhecer aquilo tudo na minha vida.
Documento “ISO”: Coluna Prestes e o encontro com Prestes Filho;seis meses pelo sul e centro oeste do país.Você encontrou muitas pessoas que viveram parte daquela história.
Como foi aquele encontro?
Primeiro fiz um trabalho com o próprio filho do Prestes, viajei com ele cinco meses em 1995, acabei saindo do projeto sem finalizar. Depois fui tocando o projeto por minha conta durante mais três anos eu pegava minhas férias e fui pro nordeste e parte do centro oeste pra tentar fechar este trabalho.
E o que encontrei é uma história ainda muito viva, durante muitos anos não aconteceram tantas coisas numa região, no Brasil as regiões são muito pacatas e aquilo ali é narrado como se fosse ontem.
E com o filho do prestes ainda em noventa e cinco eu tive a oportunidade de conhecer os sobreviventes da marcha.
Fascinante, foi um trabalho que me marcou muito.
Documento “ISO”: Esse episódio rendeu um série para a TV Manchete.
E pessoalmente, o que foi que rendeu ao profissional?
Correspondeu a sua expectativa?
Ficou para traz ainda algo a fazer?
Com o trabalho que eu fiz com o Amyr, hoje em dia surgem muitos trabalhos pra mim, sou convidado pra fazer projetos, mas o trabalho da coluna é a minha grande paixão ainda e não tive a oportunidade de publicar. Estou batalhando com uma editora, mas ela tem muitos projetos. Pretendo um dia realizar, primeiro estou com esta editora, se ela não conseguir nesse período vou conversar com ela e tentar fazer com outra editora.
Documento “ISO”: Vale do Jequitinhonha. Você fez uma viagem fantástica ali, teve um contato com uma riqueza mineral muito grande, diamantes, ouro e aquela imensidão do vale do Jequitinhonha.
Que Brasil você achou lá?
O Jequitinhonha foi o primeiro trabalho fotográfico que fiz,depois voltei lá mais duas vezes,mas foi até interessante,o companheiro desse projeto o Walter Firmo. (¹)
Eu estava começando a fotografar, falei á ele que tinha vontade de ir pra lá, e ele me disse: vai lá faz um material e depois traz pra que eu possa ver. Ele viu o material e falou assim: ”caramba que legal”
Ai foi o estimulo; o começo do meu trabalho.
E o Jequitinhonha é um lugar que parou no tempo.Fui a muitas comunidades que não tinham luz. As pessoas são muito solidárias e me marcou muito assim a maneira de pensar.
Documento “ISO” : Você fez: Amyr Klink, fez coluna Prestes.
O Prestes Filho.Que Brasileiro você encontrou ali? O pesquisador da economia da cultura,o jornalista,ou o filho de uma ideologia adormecida? Que Luis Carlos Prestes Filho você encontrou lá?
Um cara muito sensível e muito preocupado em resgatar a imagem da coluna; não é?
Porque a coluna de certa forma foi muito injustiçada. Porque na época o Prestes ainda não era comunista, então eu acredito que por ele ter se tornado um grande líder, a coluna tenha ficado um pouco esquecida.
Ela foi o inicio da revolução de trinta. Vargas chegou ao poder, acabou aquela política de café com leite por conta dessa luta política. Ele teve uma preocupação muito grande e fez um trabalho belíssimo na região resgatando a imagem da coluna, fez alguns memoriais em Santo Ângelo , no Tocantins.
Também tem um historia dele de tentar estar mais próximo não sei se..., houve assim uma transferência dele pro pai. Quando a gente fazia o caminho ele se sentia um pouco como se fosse o próprio pai.
Documento “ISO”: O Brasil passa pelo Sesc aqui em nossa cidade o SESC passa pela sua ótica e sua lente.Uma óptica que viu muitos Brasis.
É um desafio novo pra você?
E sim. E eu estou muito feliz aqui,com os SESC”S que encontrei aqui na região.
Eu estou buscando uma opção em fazer fotos com movimento, porque os SESC'S nessa região tem uma função de acabar suprindo uma carência de espaço cultural dessas regiões,então através de espaço como o SESC acho que tenda a região a crescer.
Vi lá em cascavel uma sessão de cinema com jovens deslumbrados assistindo um filme muito interessante do Wood Allen.,atentos e fiquei muito feliz com que estou vendo com o trabalho do SESC.
Ainda mais num mundo que tudo visa lucro, você ter um espaço voltado pro social. E o ambiente de trabalho dessas quatro unidades, foz de Iguaçu, cascavel, marechal Cândido Rondon e Toledo um ambiente maravilhoso.
Documento “ISO”: Gustavo ao final desta entrevista acrescentou ainda:
"Recentemente fiz um trabalho também que eu adorei, que foi a vida de caminhoneiro. Eu andei vinte e dois mil quilômetros na boléia de um caminhão". (*)
(*) -( Esta viagem teve matéria editada pelo jornal "O GLOBO" O PAÍS
16/04/2006 e esta disponivel no clipping do DNIT. VEJA )
Passei aqui pela região também. Fiquei dois meses acompanhando a vida deles, e é um trabalho que espero que ainda as pessoas possam ver
DIAS NA ANTARTICA Gustavo Stephan ISBN 8599070010 Capa dura Colorido 25 x 21,5 cm 112 páginas Preço de Capa R$ 54,00
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POR ONDE ANDAMOS
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fonte: DESIDERATA *IMAGENS COM DIREITOS AUTORAIS PRESERVADOS-DIVULGAÇÃO
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Esta saindo também mais um livro intitulado “ONG'S TRABALHO COM JUNVENTUDES RURAIS” patrocinado pelo instituto SOUZA CRUZ ,recentemente lançado.
Os trabalhos relacionados ao projeto “O Brasil passa pelo SESC” se enceraram na data de hoje perfazendo a maratona de 4 dias onde fotógrafos maravilhosos mostrarão o resultado através do site http://www.obrasilpassapelosesc.com.br toda a magia de suas luzes traduzidas em imagens que certamente serão de tirar o fôlego dos aficionados por fotografias e, fãs dos fotógrafos que trabalharam neste projeto.
Fica aqui o convite para que você internauta prestigie e, conheça também esse BRASIL que passa pelo SESC e que passou pelas lentes destes Brasileiros que fazem a diferença.
(¹) FIRMO
SINOPSE (http://www.walterfirmo.com.br/)
"Walter Firmo é o melhor fotógrafo da alma humana ingênua nacional. Com o olhar sempre poético e respeitoso, ele fez o foco definitivo sobre o que alguém, em algum hino do passado, chamou de brava gente brasileira." Joaquin Ferreira dos Santos
Agradecimentos as pessoas que organizaram
este evento que finalizou o projeto "O BRASIL passa pelo SESC
em especial; o Srs.
Luiz alberto Langoski,(Diretor do SESC TOLEDO)
Sr. Marcos Filipin e Srª. Doris Junges E
seus colaboradores.
DOCUMENTO "ISO" - FOTOS; C.GONÇALVESS
Toledo,26 de agosto de 2007
Documento “ISO'/PORTALDOC
CLAUDIO GONCALVESS.
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