
Claudio Goncalvess direitos reservados copyright 2005-2008
Eu vejo os homens que cantam Vejo também os que com eles, também cantam e dançam. Observo a arte dos que pintam, esculpem, escrevem e encenam. A alma dos que contam estória - ficção- Dos que falam, vejo seus pensamentos, das atitudes; as intenções. Vejo o tempo que transita entre aqueles que param, e os que apenas observam. Vejo mudanças, marasmos e estagnações, vejo épocas e revoluções sociais. Vozes que esbravejam e não alcançam a consciência dos cegos de alma. Vejo a liberdade que encarcera os livres em seus pensamentos e devaneios. Expressões que revelam a dor, alegria, felicidade; desavergonhadamente. Prevejo o passe perfeito, precipito o grito miserável do gol. Ouço as promessas, as falsas promessas; vejo a esperança que se esvai dos pobres meninos que escalam escadas de pedra. Nas atitudes dos que incameram aos domingos, vejo os que encenam e acenam. O messianismo efêmero; êxodo de Garanhuns. No poder, a fraqueza da ganância, a mesquinhez da oferta e a força das palavras. Seus seguidores, seus falsos sorrisos, vejo a prosperidade emergente à custa da fé. Ouço o grito dos inocentes, gargalhadas dos culpados, vejo a injustiça cega. Vejo a facilitação, a obstrução, a nobreza, o cárcere teatral dos donatários das leis dos pobres. O espetáculo da nobreza apaidaguada, rebento dos inelegíveis. Vejo guerras, e nas guerras a maquiagem da paz. Vejo sim; claro que vejo a qualidade, em contraste com os desajustados. Vejo homens e “Homens”, povos e cidadãos, mendigos e personalidades. Jovens e idosos, ideologias e demagogias, atitudes e desates. Vejo a luz, ouço click, registro a esperança de mudanças através de minhas lentes; desaturdir com informação. Vejo que posso informar dar opção de escolha, argumento para reflexão, o contraditório. Sou jornalista; foto jornalista, não trago tendências; trago informação, minha sina é mostrar a cidade nua.
Cláudio Goncalvess